dezembro 22, 2011

Ele não sabe o que faz.

   Ela senta, coloca os livros de lado, arruma os óculos, pára e espera ele chegar todos os dias, naquele mesmo lugar. Ele todos os dias passa, ele nem a vê.

   Então entra no repertório: batom, roupas justas e salto alto. E naquele dia, ele parou e a olhou de cima a baixo. Pouco importava a doçura e sorriso da menina. Mas ela gostou, finalmente ele a viu. Ela ignorava o porco nojento escondido atrás do sorriso interesseiro que só reparava em suas curvas e na beleza do seu corpo. 

   Ele a chamou para sair e ela foi. Ele a ofereceu bebida e ela negou. Nunca bebera antes. Ele insistiu, e pela insistência e desejo de mantê-lo por perto. Ela bebeu e ficou tonta. Mal se equilibrava sobre as pernas. Ele a levou pro carro e começou a beijá-la e tocar seu corpo. Ela não queria: “não aqui”, “não agora”, “eu não quero”. Ele agia como se não ouvisse e ela continuamente manifestava a sua negação daquilo. Mas de forma cautelosa, ela não queria espantá-lo. Não se sentia pronta para ceder, mas cedeu. 
  Na manhã seguinte a dor entre as pernas não era nada se comparada a dor de ter feito algo que ela acreditava ser tão importante, mas de um jeito diferente do tão sonhado. Novamente remexeu as coisas da mãe, a procura de outro salto. E foi, àquele mesmo lugar, esperá-lo passar. 

   Então ele passou: mal a olhou, mal a cumprimentou e passou. E sem saber como reagir, parada e chocada, fez-se a chorar. E, naquela onda de lágrimas e rancor, foi para casa e se lamentou. 

   Ele não sabe da sua alma, do seu desejo. Pouco importava. Ela não existe, não vive, não pensa. Ele e a felicidade de seu pênis, nada mais importa. E ela elas, serão sempre assim. Educadas para serem subordinadas, humilhadas e usadas. Mais nada.

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