junho 14, 2014

Aniquilação (Parte I)

De longe já senti a sua aflição, talvez tenha sido o peso de seus passos ecoando pela escada, ou a briga de seu pulso conta a maçaneta da porta, ainda do lado de fora, retirou seus saltos, como sempre já o faz. Entrou e se sentou soltando um suspiro tão intenso como se o simples fato de tiver se livrado dos sapatos e se sentasse fosse um desabafo. Esperei um momento, até que seus olhos, em fim, fixasse em um ponto por mais de um segundo
- Você e essa sua guerra contra si ainda vai enlouquece-la verdadeiramente. Comentei. Talvez ela não quisesse conversar, talvez precisasse de mais tempo para refletir. Mas não, os olhos não mentem.
- Eu realmente não sei o que faço. Eu sempre complico tudo!... Quando eu penso que consegui resolver algo, na verdade eu criei outro problema, OUTROS PROBLEMAS. Eu queria mesmo conseguir fechar os olhos, e por um segundo deixar o mundo fluir – Segurando firmemente o choro, desabou. Mas por mais que tentasse não conseguiu esconder o tom de desespero em sua fala.
- Eu, eu, eu, eu!... quantas vezes eu? Já parou para pensar que o mundo é um só, tem bilhões de pessoas, e não gira em torno de você? Desligue o celular, as luzes, feche as janelas, deite-se, então feche os olhos, e por um segundo deixe o mundo fluir. Prometo não atormentá-la essa noite.
- Será alcançável tal façanha?! - Agora ela se fez em pedaços de verdade. Não tentou se conter: chorou e falou no tom e volume certo de seu desespero.

- É você que tem que conseguir. Não há mistério, não se sinta só, e eu, sua solidão, vou embora.

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