outubro 17, 2017

há como queria tocar-te corpo
há mas que falta faz-me teu espírito

recordo-me de teu suspiro
através de minha pele em arrepios

agosto 31, 2017

O Louco

diz que não
diz que sim

que não vai
que já foi

se perdeu
enlouqueceu
desapareceu
e não faz ideia alguma do que aconteceu

come
"come"
dorme
some

deseja
beija
dedilha
lambe

não ejacula
não se contenta
não se ausenta
não se compreende
não me prende

me vira do avesso
me vira em versos
me guia ao reverso
me apetece
de-sa-pa-re-ce

quero beijá-lo
quero deixá-lo

trancá-lo
abrigá-lo
largá-lo
contemplá-lo

Até a próxima vez!

agosto 17, 2017

ver qualquer besteira 
e ter alguém para mandar

ouvir aquela piada sem graça 
e ter alguém para contar

notar uma marca esdruxula na pele 
e ter alguém para mostrar

soltar uma palavra besta
e ter alguém para falar

ter alguém é muito bom
mas também não é tudo isso

julho 18, 2017

deságua

Deixa eu beijar-te,
afogar-me no garboso calor de seus lábios.
Quero ouvir-te tocar,
ouvir o toque de seu dedos em mim.
seu toque em minhas profundezas voluptuosas.

Sua carne despertando toda minha pele
que num quente arrepio
desperta a minha esfinge
sedenta em decifraste e devorar-te

Deixa eu entrar
nas profundezas de seus espírito
perder-me na dor nefasta que aflige seus dias

Alimenta minha ânsia de ti
com um clímax escarlate de sua sombra
refresca-me com o gelo do medo
que estuga em teus nervos

vilipendie seu temor do afeto
afugente teu receio de incerto
valha das vontades que a ti serve
lambuze-se no liquor de meu prazer em ti

junho 21, 2017

primeiro ato

como arquétipo andarilho
invado teu cenário
sob o manto do teu corpo
faço-te de agasalho

abraso-me nos teus lábios
numa fuga senciente
em busca de abrigo
do meu exílio inconsciente

e aquele atrito atrativo
do meu tato sobre teu
leio-te como páginas de livro
que o tempo escreveu

e toda história se mistura ali
dos teus medos com os meus
no enlace de nossos corpos
a volúpia os venceu

abril 18, 2017

tome uma taça de vinho comigo
tome o teu lugar de abrigo

teria teu tato um trato
de trazer tremor em meu torso

no talhe de teu tronco me encontro
tecendo imagens tranco
transmutando estampa em timbre

palavra é afeto entalhado
é transa e gozo em invento

eu tento
mas não trilho
e sinto
mas não sigo

abril 11, 2017

eu não vou
brigar
não por você
se tu sabes bem
sobre seu querer

e também
não vou dizer
o quanto te quero
o quanto importo-me com você

há tanto na estrada
e cá estou eu
só e cansada
parada

há tantos rumos
e eu cá só
luto
em luto
há mais eu luto
mas não por você

se tu sabes bem sobre ti
sabes bem que estou aqui
deveria saber vir

não confunda
não é medo
migalha
ou menospreso

é que tu es verbo
infinitivo
adjetivo e substantivo
eu quero ver-te
em teu caminho

quem sabe um dia
todos os dias
caminhando
no cruzamento de qualquer nuance
a gente se encontre
e se ame

mas deixe-me aqui
vê-lo seguir
as vezes dói
mas constrói
até a próxima vez